Uma das primeiras unidades de condicionamento de ar centrífugo de Willis Carriers.
Por Kevin Harris

Como uma invenção do século XX transformou o modo como trabalhamos, jogamos e vivemos?

“Sem dúvida o computador” responde Elliot Forest, 25, um estudante da Universidade Howard. “Com a internet e tudo mais, certamente foi o computador”.

Errado.

Embora os computadores, os automóveis e os telefones celulares possam parecer escolhas óbvias, uma maravilha tecnológica – o ubíquo condicionador de ar – tem tido maior impacto sobre a nossa cultura neste século.

De fato, não haveria computadores sem o ar condicionado. Regiões densamente povoadas do país, inclusive Washington, que foi classificada como subtropical pelo serviço exterior britânico na década dos 30, seria quase inabitável durante meses sem que o ar condicionado resfriasse os interiores.

O condicionamento de ar também deu forma à nossa arquitetura.

Aspectos tradicionais, tais como varandas profundas, paredes grossas, tetos altos e sótãos, que não mais precisam refrescar as nossas casas, deram lugar a casas de ranchos (fazendas) compactas com amplas janelas, que encheram os subúrbios.



Ainda mais, os escritórios como uma caixa de vidros que cada vez vai mais alto nos centros urbanos seriam impossíveis sem o ar condicionado.

O filme Guerra nas Estrelas (Star Wars) nunca teria sido um sucesso no verão se as salas de cinema não fossem equipadas com condicionadores de ar nos meses mais quentes, uma jogada de marketing que virou um hábito cultural e arrecadou bilhões.

A marca registrada da América, as férias de verão, que destacam os passeios que levam famílias de turistas em vans cheias de gente, não seriam tão atrativas sem os veículos com ar condicionado, deixando vazios incontáveis motéis abafados e lanchonetes de “fast food” ao longo das estradas.

Os drive-in e os resorts nas montanhas estariam prosperando como os únicos a atrair as pessoas em férias, sem a mágica do ar condicionado.

Quanto às crianças, elas não teriam que terminar as suas férias de verão na metade de agosto (nos Estados Unidos, na Europa e, em geral, no hemisfério norte), quando o ar mais frio possibilitou a volta às aulas mais cedo.

Poucos de nós têm idade suficiente para lembrar como era a vida antes dos condicionadores de ar e para admirar as mudanças que eles trouxeram.

O advogado Jones, de 87 anos de idade, lembrou recentemente como era a vida na cidade de Charleston, no estado de Mississipi, onde os verões são muito quentes e úmidos. Naquele tempo, ele e a sua família tinham que resistir à estação.

“Hoje, eu não poderia resistir ao calor de maneira alguma”, ele disse.

E pensar que, no início, o condicionamento de ar era mais usado em fábricas do que para refrescar as pessoas.

No início deste século, os fabricantes de chocolate, de macarrão, de tecidos e de cigarros, entre outras coisas, melhoraram a qualidade dos seus produtos e aumentaram a produtividade quando os engenheiros começaram a controlar a temperatura das fábricas.

Em 1901, a bolsa de valores de Nova Iorque decidiu refrescar os seus touros e ursos (há uma estátua de bronze de um touro em frente ao prédio da bolsa de valores de Nova Iorque).


Nos anos 20, o Congresso dos Estados Unidos instalou resfriadores de ar para controlar o fluxo de ar quente no Capitólio. A Casa Branca (sede da Presidência da República) e a Suprema Corte (equivalente ao nosso STF) não ficaram atrás, a despeito da Corte não se reunir no verão.

A decisão dos operadores dos cinemas (que faziam a projeção dos filmes) de usar ar condicionado ajudou a indústria de diversão infantil durante a grande depressão econômica.

Depois da segunda guerra mundial, os avanços tecnológicos e os menores custos empoleiraram precariamente os primeiros e volumosos aparelhos de ar condicionado nos parapeitos de janelas de milhões de dormitórios em toda a nação (Estados Unidos).

Os aparelhos de ar condicionado para toda a casa e os aparelhos para os automóveis vieram logo depois. Nos anos 90, apenas poucas novas casas e poucos carros poderiam ser comprados sem ar condicionado.


Mas, nem todos acreditam que este novo mundo de ar condicionado é tão bom. Os sociólogos se preocupam com o isolamento que o ar condicionado provoca em lugares como Houston, no estado do Texas. E pesquisas médicas trazem preocupação com doenças como viroses ou alergias causadas por aparelhos com dutos sujos.

O autor retratou os benefícios dos condicionadores de ar e a sua história de acordo com o ponto de vista norte-americano. E aqui no Brasil, você tem alguma história para compartilhar conosco?

Deixe um comentário!

Fonte: Philly.com

Tradução e edição: Fernando B. T. Leite